terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Notícias...


Esta despensa tem andado um bocado parada, mas não pensem que não existem mercadorias mais do que suficientes para a atulhar até ao tecto. O que acontece é que a Bruxa - depois de ter ido arejar as ideias - regressou ao trabalho e está a traduzir vocês sabem o quê. E, mesmo cheia de truques mágicos, não há mãos nem tempo que cheguem para tudo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O teatro inglês a partir dos anos 50 - 3



Arnold Wesker
n. 1932

Se bem que as suas primeiras peças tenham estrado no teatro Belgrade, em Coventry, Arnold Wesker era em certo sentido um dramaturgo do Royal Court dos finais dos anos 50. A sua trilogia semi-autobiográfica Canja de Galinha com Cevada, Raizes e Jerusalém assume frontalmente a contradição entre os ideais socialistas, o empobrecimento cultural e as fraquezas humanas; as suas peças assumidamente autobiográficas A Cozinha e Batatas Fritas com Tudo (passada na Força Aérea durante o serviço militar) lidam com a inflexibilidade classista (como acontece em Copo de Água). Tal como Osborne, teve as suas lutas com as instituições teatrais (digno de nota foi o processo que pôs à Royal Shakespeare Company, em 1971), mas continuou a escrever para o teatro, a televisão e o cinema (incluindo duas peças notáveis para mulheres durante os anos 80, Caritas e o monólogo Annie Wobler). Fez uma incursão no teatro comunitário com O Monte de Beorthel (uma peça para ser representada em Basildon), e regressou aos temas judaicos com Shylock (O Mercador) e Libelo de Sangue.

Peças representadas em Portugal:
1969 – As Quatro Estações - Empresa Vasco Morgado
1971 – A Cozinha - TEL
1973 – Os Amigos - TEL
1989 – Quatro Estações - Pró Tea/ Prótea
1996 – Carta a uma Filha - TNDMII
1999 – Desbarato e O Que É Feito de Betty Lemon?
2000 – Uma Peça para Três Mulheres - O Casulo – Grupo de Teatro
2005 – Uma Carta de Amor em Papel Azul – Ensemble – Sociedade de Actores
2006 – Quando Deus quis um Filho - Ensemble – Sociedade de Actores

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

KITCHEN-SINK DRAMA [Drama de lava-louças]

Designação para um tipo de drama que surge em Inglaterra no final da década de 60. O termo surge associado à peça que John Osborne apresenta a 8 de Maio de 1956 no London’s Royal Court Theatre, Look Back in Anger [O Tempo e a Ira]. Esta peça, símbolo de uma geração que ficou conhecida como “angry young men” [jovens zangados], é um retrato genuíno da vida da classe média-baixa em Inglaterra. Uma classe social que vive uma época de descrença total no poder político, que vive uma revolta contra a ordem social estabelecida. A santidade do casamento, os tabus face ao sexo, os valores da vida familiar, bem como as convenções consolidadas da Igreja foram mais do que nunca postas em causa.
A maioria dos autores destas peças pertence a esta classe menos favorecida, e pretende vê-la representada no palco. As personagens centrais destas peças são o reflexo das pessoas com quem eles conviveram na infância, pessoas que lutavam diariamente contra as faltas materiais e emocionais, cujas vidas até esse momento não tinham sido dignas de serem representadas no teatro inglês dominado pelos valores morais das classes mais favorecidas. Jimmy Porter, o protagonista de Look Back in Anger, é uma personagem, como diz Osborne, “who speaks out of the real despair, frustrations, and sufferings of the age we are living in, now, at this moment.” ( AA.VV., Landmarks of Modern British Drama: The Plays of the Sixties, 1ªed., Methuen, Londres, 1985, p.21).
Com o kitchen-sink drama surge um novo vocabulário, mais realista, mais agressivo, novas formas de diálogo e novas formas teatrais. A divisão em três ou quatro actos que até aí parecia apropriada, é agora desprezada. Opta-se por uma estrutura mais flexível, com cenas mais curtas, que são interrompidas por música, poesia, ou qualquer outro artifício pouco naturalista.
O kitchen-sink drama revela a insatisfação pessoal desta vaga de dramaturgos intelectualmente comprometidos com as classes trabalhadoras. John Arden, David Mercer, John Mortimer, Harold Pinter, Arnold Wesker, Tom Stoppard, são alguns exemplos destes jovens dramaturgos. Todos partilham a indignação contra a apatia, a complacência e a quebra do idealismo. John Osborne diz mesmo: “O meu desejo é fazer as pessoas sentir, dar-lhes algumas lições de sentimentos. Assim, poderão pensar. Em alguns países, isto poderia tornar-se uma coisa perigosa, mas parece haver pouco perigo de que as pessoas pensem demasiado, ao menos em Inglaterra nestes dias.” (AA.VV., Depoimentos dos “Angry Men”, 1ªed., trad. Artur Portela Filho, Presença, Lisboa, 1963, pp.81-82).
Na mesma época surgem os kitchen-sink painters, termo que se aplica às obras dos pintores realistas sociais ingleses, como por exemplo, John Bratby. Bratby pintava interiores domésticos, e foi o membro mais destacado deste efémero grupo da kitchen-sink school (neo-realismo), que surge como reacção à abstracção contemporânea.
Bib.: AA.VV.: Depoimentos dos “Angry Men”(1963); AA.VV.: Landmarks of Modern British Drama: The Plays of the Sixties (1985); Arnold Wesker: Words as Definitions of Experience (1976); G.R.Taylor: Anger and After (1969); M. Esslin: Drama in the Sixties (1966); Maurice Valency: The End of the World: an Introduction to Contemporary Drama (1980); Peter Ansorge: Disrupting the Spectacle: Five Years of Experimental and Fringe Theatre in Britain (1975); Richard Gilman: The Making of Modern Drama (1987).
Rita Baleiro
CEIA, Carlos (dir) Dicionário de Termos Literários, consultado em 10/1/2007

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

O teatro inglês a partir dos anos 50 - 2


2. O Teatro Royal Court

É costume designar 8 de Maio de 1956, dia da estreia de O Tempo e a Ira,[1] de John Osborne no Teatro Royal Court, em Londres, sob os auspícios de George Devine, como sendo a data do nascimento do teatro britânico contemporâneo. Continuando o seu trabalho a partir dos subsequentes sucessos de Wesker e Arden, o Court apresentou ao palco inglês escritores como Ann Jellicoe e N. F. Simpson.
Igualmente significativo foi talvez o trabalho de Joan Littlewood com a Theatre Workshop no Teatro Stratford, East London: a sua cavalariça produziu os polémicos e populares musicais Fingers Ain’t Wot They Used T’Be (1959) e Oh! What a Lovely War (1964) bem como peças de autores como Brendan Behan e Shelagh Delaney.

John Osborne
1929 - 1994

Na sua famosa crítica para o Observer, Kenneth Tynan declarou que “duvido que pudesse apaixonar-me por alguém que não quisesse ver O Tempo e a Ira.” De facto, o legado mais duradouro da primeira peça de Osborne a ser apresentada em palco é o seu retrato de um homem ferido, apaixonado e sem amor, numa furiosa revolta contra os domínios público e privado. Em peças como O Animador, a histórica Lutero, Um Patriota para Mim e nas contemporâneas Testemunho Inadmissível e Um Hotel em Amsterdão, Osborne escreveu muitos dos melhores papéis (e melhores falas) para os melhores actores do seu tempo. Cada vez mais hostil para com o teatro contemporâneo, e na verdade para com muito do mundo contemporâneo, afastou-se do drama e refugiou-se na autobiografia durante os anos 80, reaparecendo com uma nova peça – assente nas personagens de O Tempo e a Ira e intitulada Déjà Vu – em 1992.

Algumas peças
1956 O Tempo e a Ira
1957 O Animador
1961 Lutero
1964 Testemunho Inadmissível
1971 A Oeste do Suez
1972 Uma Sensação de Desprendimento
1992 Déjà Vu

NOTA: Por uma vez, podem ir consultar a Wikipédia e encontram mais informação aqui também.
[1] Na tradução de Gustavo Rubim para a Companhia Teatral do Chiado, o título escolhido foi Dá Raiva Olhar para Trás.
NOTA 2: A propósito de O Tempo e a Ira, Arnold Wesker, no jornal Independent, descreveu Osborne como tendo “aberto as portas dos teatros a todas as gerações de escritores subsequentes.”

sábado, 10 de fevereiro de 2007

O teatro inglês a partir dos anos 50

1. Olhando para trás...

As artes dialogam com os vários tempos de formas diferentes. O cinema, a televisão e a literatura podem articular os temas de uma época, mas só o teatro pode envolver-se numa conversa directa com o seu público. Desde 1956, o teatro britânico (e, mais especificamente, o novo teatro inglês) tem sido ponto de encontro do desenrolar de uma conversa acerca da natureza do mundo do pós-guerra.
Para a primeira vaga de dramaturgos, de John Osborne e Arnold Wesker às primeiras peças de Edward Bond, as questões básicas eram sociais e culturais. À medida que o rígido sistema de classes britânico se desmorou, os novos intelectuais (muitos dos quais provinham da classe trabalhadora) debateram as possibilidades, consequências e limites da nova democracia cultural.
Para as gerações que se lhe seguiram, forjadas no cadinho da revolta dos jovens no final dos anos 60, as questões básicas eram mais agressivamente políticas. Prendiam-se com os limites da social-democracia e do estado social (em termos políticos, era o debate entre a reforma liberal e a revolução socialista).
No início dos anos 80, o cenário tinha mais uma vez mudado. Como consequência do falhanço das ideias socialistas tradicionais em obter o apoio popular, os dramaturgos passaram a preocupar-se com questões de identidade e diferença. O nascimento do teatro negro, do teatro gay e (especialmente) do teatro feminino, o renascer de um teatro consiente das regiões (e das nações) e o desenvolvimento do teatro comunitário foram exemplos deste fenómeno.
Como em todos os movimentos artísticos, existem figuras maiores que se destacam da maioria e seguem as suas próprias obsessões. Os dramaturgos mais próximos do teatro do absurdo europeu – Harold Pinter e Tom Stoppard – viraram-se há relativamente pouco tempo para a política. As tradições mais antigas da comédia e do drama britânicos foram celebradas no trabalho de dramaturgos populares como Joe Orton, Alan Bennett, Michael Frayn e Peter Shaffer. E se bem que se contem entre os mais conhecidos, nem Alan Ayckbourn nem Caryl Churchill são típicos dos movimentos a que estão associados.
O teatro britânico entrou nos anos 90 num estado de confusão. Os pessimistas fizeram notar um conservadorismo crescente na programação teatral, um declínio na ambição das novas peças e uma deslocação para espectáculos performativos que excluem o texto literário. Os optimistas viram os primeiros indícios de que os dramaturgos e os agentes teatrais de uma importante mas insular tradição teatral estão a abrir-se para o mundo.

David Edgar, 1992

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

e sem dificuldade...

E para que não digam que a tarefa de escrever em português é difícil, aqui fica mais um:
Prontuário Fácil da Língua Portuguesa, Lisboa, Texto Editores, 2001.

Para escreverem ainda melhor...





E a Bruxa foi às compras e ainda encontrou estes.

FILHO, D'Silvas, Prontuário Universal. Erros corrigidos de Português, Lisboa, Texto Editora, 2003

SARDINHA, Leonor e RAMOS, Lydia Vieira, Prontuário e Conjugação de Verbos, Lisboa, Didáctica Editora, 2000.